OMS pede atenção para evitar propagação internacional de vírus Zika

4 February 2016

Após reunião realizada em 1º de fevereiro, o Comitê Técnico de Emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS) concluiu que os vários distúrbios neurológicos e malformações neonatais que afetam pelo menos 20 países das Américas possuem provável relação causal com a doença do vírus Zika. Assim, a epidemia constitui, para a Organização, uma emergência de saúde pública de importância internacional (ESPII, sigla em inglês). Nesse contexto, Brasil e Estados Unidos anunciaram o projeto de cooperação voltado ao desenvolvimento de uma vacina contra o vírus.

 

Desde o início de 2015, aumentou o registro de infecções por vírus Zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, no continente americano. Como o vírus pode chegar a todos os países do continente, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) estima que entre 3 e 4 milhões de pessoas devem contrair o vírus em 2016 na região – sendo 1,5 milhão no Brasil. Em decorrência dessa rápida expansão, a OMS declarou o vírus uma EPSII.

 

Para a OMS declarar que há uma ESPII é preciso que haja risco à saúde pública para outros Estados, devido à possibilidade de propagação internacional da doença e a exigência de uma resposta internacional coordenada (art. 1º RSI). Nesse sentido, é a dimensão internacional da patologia – e não sua gravidade ou letalidade – que caracteriza uma ESPII. No entanto, há algumas consequências políticas envolvidas, principalmente se considerada a falta de controle dos países sobre a decisão da OMS.

 

Um exemplo é a epidemia do vírus Ebola na África. Inicialmente, governos e entidades internacionais não haviam revelado a quantidade exata de casos da doença, na tentativa de preservar as economias locais (ver Bridges Africa, vol. 4, n. 4). Isso porque, além da visibilidade que a própria doença adquire, uma ESPII gera Recomendações da OMS ao público em geral, especialmente aos Estados e ao setor de transporte. Isso pode levar a restrições migratórias de indivíduos provenientes das ou em direção às regiões atingidas – como fizeram Austrália e Canadá com o Ebola, e os Estados Unidos e a Europa com o Zika, ao aconselharem que mulheres gestantes não visitassem a América Latina.

 

Embora o Ebola figure juntamente com o vírus Zika como epidemias declaradas ESPII pela OMS – lista que se encerra com a gripe A (H1N1) em 2009 e o poliovírus selvagem em 2014 – há diferenças marcantes entre elas. São diferenças nos sintomas, letalidade, prevenção e complicações, que se somam às diferenças no desenvolvimento econômico e na situação dos sistemas de saúde dos países atingidos.

 

Com vistas a controlar a epidemia, o foco tem sido dado no combate ao vetor da doença. Buenos Aires tem adotado a fumigação em áreas abertas para o combate ao mosquito Aedes aegypti, e o governo da Venezuela deu início a campanhas de combate ao mosquito. O Brasil, que já combatia o vetor, busca agora a elaboração de vacina conta o vírus Zika e aquele da dengue em parceria com os Estados Unidos por meio da cooperação entre o Instituto Butantan e o National Institutes of Health (NIH).

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Estadão. Brasil e EUA planejam vacina contra zika; OMS teme propagação do vírus. (26/01/2016). Acesso em: 03 fev. 2016.

 

OMS. Organização Mundial da Saúde anuncia emergência de saúde pública de importância internacional. (01/02/2016). Acesso em: 03 fev. 2016.

 

Saúde Global. Ebola e Zika são incomparáveis, por Deisy Ventura. (01/02/2016). Acesso em: 03 fev. 2016.

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