China autoriza importação de milho do Brasil

11 April 2014

Após meses de negociação, o Brasil recebeu a chancela para se tornar um grande exportador de milho para o mercado chinês. A Administração Geral de Supervisão de Qualidade, Inspeção e Quarentena da China informou, em 8 de abril, que as compras do cereal do Brasil estão liberadas desde 31 de março. Com isso, Pequim dá mais um passo em direção a reduzir sua dependência dos Estados Unidos, país que responde por mais de 90% das importações chinesas de milho.

A formalização da abertura do mercado chinês ao milho brasileiro era esperada desde novembro do ano passado, quando os dois países assinaram um acordo fitossanitário, que permite ao Brasil exportar milho para a China desde que o grão cumpra as exigências de inspeção e quarentena. À época, ficaram pendentes informações adicionais, que foram enviadas pelo governo brasileiro neste ano. Acordos como esse podem abrir caminho para embarques que podem alcançar dezenas ou mesmo centenas de milhares de toneladas em um único mês.

O Brasil, segundo maior exportador de milho do mundo, atrás somente dos Estados Unidos, agora se junta à Argentina, que foi o primeiro país sul-americano a fechar um acordo de fornecimento de milho com a China, em 2012. Em julho, a Argentina – terceira maior exportadora de milho do mundo – fez o primeiro embarque em larga escala do grão, de 66 mil toneladas, para o país asiático.

Embora a China não seja autossuficiente em milho, há um incentivo do governo à produção local. Esta é calculada em 218 milhões de toneladas do cereal para a safra 2014/15, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês). Com relação ao mesmo período, a estimativa para as importações da China é de apenas 3 milhões de toneladas. "Não vejo, no curto prazo, uma explosão de exportações de nenhum país para a China", avalia Daniele Siqueira, da AgRural.

Além disso, outro fator preocupante é a prática da China de rejeitar embarques sob a justificativa de contaminação com variedades geneticamente modificadas não autorizadas no país. No fim de março, a China cancelou a compra de 221.400 toneladas de milho dos Estados Unidos, elevando o total dos embarques rejeitados desde novembro para mais de 1 milhão de toneladas. De acordo com fontes consultadas pela Reuters, tais cancelamentos têm sido feitos em um contexto de amplos estoques, demanda reduzida atrelada à gripe aviária e lento crescimento econômico da China. A semente rejeitada pela China é aceita por todos os grandes importadores de milho e também está aprovada no Brasil, o que gera incertezas com relação a futuros embarques.

Reportagem Equipe Pontes

Fontes consultadas:

Folha de S.Paulo. Clima de incerteza marca abertura oficial da China ao milho brasileiro. (09/04/2014). Acesso em: 10 abr 2014.

Reuters. China rejections of U.S. corn top 1 million tonnes after latest data. (03/03/2014). Acesso em: 10 abr. 2014.

Xinhua News. China allows import of corn from Brazil, GAQSIQ. (09/04/2014). Acesso em: 10 abr. 2014.

Wall Street Journal. China, Brazil sign corn-supply deal. (08/04/2014). Acesso em: 10 abr. 2014.

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